Conhecida como o “medo de ter medo”, a Síndrome do Pânico é uma doença que já acomete cerca de 2% da população brasileira, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A Síndrome do Pânico se manifesta com o surgimento abrupto de medo e desconfortos intensos, que atingem um pico em alguns minutos”, explica Rosana T. Rodrigues, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Anhembi Morumbi

A supermodelo Gisele Bündchen, por exemplo, começou a ter ataques de pânico no começo de sua carreira, em meados nos anos 2000, após passar por uma forte turbulência em um avião pequeno. Depois dessa situação, ela passou a evitar e a temer túneis, elevadores, aviões e qualquer tipo de local fechado. 

“Eu estava numa ótima posição na minha carreira e sempre me achei muito positiva, então pensava ‘Por que estou me sentindo assim?’ Me senti desamparada. Seu mundo parece menor e menor e você não consegue respirar. Eu realmente tive o desejo de só pular de um prédio e nunca mais ter que me preocupar com esses sentimentos”, contou a modelo em entrevista para a revista norte-americana People. 

Como surge a Síndrome do Pânico?

De acordo com Rodrigues, ainda não existe uma comprovação científica que aponte quais são os gatilhos para crises de pânico. Porém, normalmente, essa síndrome surge após a exposição a prolongados períodos de tensão e estresse.

“Os sintomas podem surgir tempos depois do indivíduo ter passado por momentos de tensão e sobrecarga emocional. A partir daí, qualquer sintoma é gatilho para uma crise, uma simples dor de barriga ou de cabeça, pode ser entendida como ‘algo de ruim está acontecendo comigo’ e aí todo o circuito da crise pode ser desencadeado”, aponta. 

Comumente, o início dos ataques de pânico surgem durante o início da vida adulta. Entretanto, é possível que essa síndrome de desenvolva tanto na infância, onde o diagnóstico é mais demorado, ou em meados da vida adulta.

Um estudo realizado pela National Comorbidity Survey (NCS), nos Estados Unidos, apontou que 71% dos pacientes com Síndrome do Pânico são mulheres, e apenas 29% são homens. 

“Algumas doenças podem levar o indivíduo a manifestar a Síndrome do Pânico, como por exemplo, asma, arritmias cardíacas, hipertireoidismo. O uso de substâncias como maconha, cocaína e anfetamina também podem contribuir com o desencadeamento das crises, além de doenças mentais como Fobia Social, Síndrome do Estresse Pós-Traumático“, explica Rosana.

Quais são os sintomas da Síndrome do Pânico?

Durante uma crise, a pessoa sofre com, no mínimo, quatro dos sintomas citados abaixo:

  • Palpitações;
  • Sudorese;
  • Tremor;
  • Falta de ar;
  • Náuseas;
  • Dor no peito;
  • Perturbação da sensibilidade táctil;
  • Desrealização (sensação de que o mundo é irreal, como em um sonho);
  • Despersonalização (processo psíquico no qual surge a impressão de que se é estranho a si mesmo);
  • Medo de morrer;
  • Medo de enlouquecer.

“Nem todas as pessoas têm todos esses sintomas, mas, para caracterizar a crise, pelo menos quatro deles devem surgir”, reforça a psicóloga e coordenadora.

Como é o tratamento do Transtorno do Pânico?

Assim como outros tipos de doenças mentais, na maioria dos casos, o mais indicado é a combinação do uso de medicamento e da psicoterapia, com acompanhamento médico. 

“Assim que o indivíduo passar por um ataque de pânico, é essencial que ele busque ajuda. Sofrer sozinho é muito pior, os sintomas tendem a se acentuar. Por medo das crises, pode acontecer da pessoa começar a se refugiar em casa e esse comportamento tende a piorar o quadro. É precisa buscar ajuda médica [psiquiatra] e psicológica”, reforça Rosana.

A psicóloga também lembra que, apesar de ter tratamento, a Síndrome do Pânico é considerada uma doença crônica: “O indivíduo pode ter remissão total dos sintomas e passar muito tempo livre das crises, mas as recaídas são sempre possíveis. Vai depender de alguns aspectos como manutenção de hábitos de vida saudáveis, autoconhecimento, desenvolvimento de habilidade para lidar com estresse”.

O que fazer durante um ataque de pânico?

Além do medo irracional, os ataques de pânico podem se transformar em um grande desafio no dia a dia de estudantes e daqueles que já estão no mercado de trabalho. Afinal, como lidar com uma crise durante uma aula? Ou em uma reunião importante?

“A Síndrome do Pânico tem acometido muitas pessoas nos últimos tempos e altamente limitante, paralisante. O indivíduo não consegue manter sua rotina de estudos ou de trabalho, tem medo de sair na rua e passar mal. Outro aspecto comum é a vergonha dos sintomas, racionalmente quando passa a crise o indivíduo compreende que foi um medo irracional que o dominou por 15 ou 20 minutos”, explica Rosana. 

Veja algumas dicas da psicóloga sobre como agir durante um momento de crise:

  • Antes de tudo, busque pensamentos racionais de autocontrole;
  • Lembre-se de respirar. “Na maioria das vezes o indivíduo é tomado uma ansiedade tão grande que ele para de respirar e com isso aumentam os sintomas de tontura, palpitação e ele passa a acreditar que realmente pode morrer”, reforça;
  • Tenha em mente que essa crise vai durar, no máximo, 15 ou 20 minutos. Vai passar!

Porém, o maior conselho que Rosana dá é ir atrás de ajuda: “Não dá para viver com estas medidas sem o acompanhamento médico e psicológico. Por isso, peça por ajuda e busque por um atendimento especializado.”