Antenados e hiperconectados, essa galera veio para revolucionar

Uma nova geração de influenciadores entrou em cena. Os membros da geração Z -, pessoas nascidas de 1995 a 2010 — são verdadeiros nativos digitais: desde a juventude, foram expostos à Internet, às redes sociais e aos dispositivos móveis. Considerados o futuro da economia global, a partir de 2020, essa geração será o maior grupo de consumidores do mundo. Esse contexto onde a internet sempre existiu, produziu uma geração hipercognitiva muito confortável em coletar e absorver diversas fontes de informação e em integrar experiências virtuais e offline.

No Brasil, a geração Z já representa 20% da população do país. A McKinsey, empresa americana de consultoria, colaborou com a Box1824, uma agência de pesquisa especializada em tendências de consumo, para realizar uma pesquisa investigando os comportamentos dessa nova geração e sua influência nos padrões de consumo no Brasil.

O estudo baseado na pesquisa revelou quatro comportamentos principais da geração Z, todos ancorados em um elemento: a busca pela verdade. A geração Z valoriza a expressão individual e evita rótulos. Eles se mobilizam por uma variedade de causas. Acreditam profundamente na eficácia do diálogo para resolver conflitos e melhorar o mundo. Por fim, tomam decisões e se relacionam com as instituições de maneira altamente analítica e pragmática.

E como todas essas experiências e características refletem na escolha da profissão? Manter o trabalho alinhado com seus valores é uma prioridade para a maioria dos indivíduos dessa geração. Na hora da escolha do emprego, muitos tem como principal prioridade o equilíbrio entre vida pessoal, trabalho e remuneração. É comum ouvir desse grupo que preferem ficar desempregados do que presos em um emprego que não amam.

Pensando nisso, Uranio Bonoldi professor da Fundação Dom Cabral separou quatro pontos que essa geração busca e prioriza na hora de procurar o emprego ideal:

Redes Sociais e Aplicativos

Os membros da Geração Z realmente não têm uma vida sem mídias sociais e tecnologia. Como a tecnologia está tão enraizada em seu estilo de vida, naturalmente se atraem em direção a posições ou cargos que envolvam sistemas digitais. “A geração Z é agarrada a detalhes, apresentam habilidade em tomar decisões criativas e disposta a colaborar com os outros. Essas características tornam o mundo em expansão de carreiras em aplicativos de smartphones e mídia social perfeito para eles”, argumenta Uranio.

Comunicação Interpessoal

Sem dúvidas a capacidade comunicacional dessa geração é algo a se destacar. Eles não apenas possuem as habilidades tecnológicas para acompanhar os clientes, mas também demonstram alta eficiência em comunicação interpessoal. Em todo momento de suas vidas a habilidade de transmitir, receber e interpretar mensagens e informação foi praticada. Dessa forma, a Geração Z é capaz de formar laços estreitos com gestores e clientes com suas habilidades de comunicação mais extrovertida. “Essa geração também espera salários compatíveis de seus empregadores. Por isso, acabam se tornando bons vendedores de serviços e produtos, com o objetivo de atingir metas e complementar o salário com recebimento de bônus e comissões, — se encaixam bem neste modelo de remuneração com alto peso no variável por performance”, enfatiza Bonoldi.

Salários Satisfatórios

Um “bom salário” é uma das palavras-chave mais comuns usadas pela geração Z para descrever o emprego ideal, assim como o reconhecimento. De acordo com uma pesquisa realizada pela InsideOut Development, 75% deste grupo acreditam que devem trabalhar em seu primeiro cargo por apenas um ano antes de receber uma promoção e 32% acreditam que merecerão uma promoção nos primeiros 6 meses de trabalho.

Tecnologia

Como uma geração cuja educação foi fortemente influenciada pela tecnologia — e nunca conheceu um mundo sem Internet — são muito atraídos pelas empresas de tecnologia na hora de procurar emprego. Empresas como Google, Facebook, IBM, Apple e Microsoft estão no topo da lista desse grupo. Alguns dos cargos mais comuns são Desenvolvedor e/ou Engenheiro de Software, Analista de Dados, Engenheiro Mecânico e Analista de Negócios. Viva a geração Z!

*Uranio Bonoldi atua como professor em cursos de MBA na Fundação Dom Cabral, e é palestrante e escritor. A partir de sua longa experiência executiva em cargos de alta gestão, observou a dificuldade das pessoas em tomar decisões não só nos negócios, mas também na vida pessoal. Tal constatação levou-o a integrar sua experiência profissional a pesquisas e reflexões sobre liderança e processo de decision making. Na Fundação Dom Cabral ministra aulas para executivos sobre poder e tomada de decisão.